CAPÍTULO 1

Mar mediterrâneo, em algum lugar entre Citera e Creta.
É um lugar famoso para caçadores de relíquias e tesouros antigos. Foi lá que, em 1901, perto da ilha de Antikythera, um barco de pescadores de esponjas procurou refúgio, protegendo-se de uma tempestade. Na manhã seguinte, os pescadores mergulharam nas já tranqüilas águas do mar, e descobriram algo que, surpreendeu até os mais céticos.
Descobriram, nos destroços de um barco que, a julgar pela quantidade de algas e areia que o cobria, estava naufragado há muitos anos, um misterioso mecanismo de relojoaria composto por 30 engrenagens de bronze, de formatos diferentes. Após muita análise, e até mesmo a criação de uma réplica, chegou-se a conclusão, que o dispositivo, era um primitivo, computador astronômico, capaz de predizer as posições do Sol, da Lua e o Zodíaco, e possuía séculos de idade.
Este evento impulsionou ainda mais os interessados em conseguir fama e fortuna com alguma descoberta deste nível.
Em busca da “sorte grande”, encontra-se próximo a este local, um barco particular, com a tripulação formada pelo capitão e dono do barco, um auxiliar, um mergulhador profissional, um arqueólogo marinho sem destaque em sua área e o investidor da empreitada, que também é mergulhador amador. Já pesquisam a região há muito tempo sem, no entanto, ter sucesso em suas buscas. Mas, pelo que parece, sua sorte, finalmente estava mudando.
Através do ecolocalizador de bordo, encontraram, meio que, por acaso, um bloco de, mais ou menos um metro e meio de lado, em forma de cubo, e parece ser de pedra. Nada muito empolgante, mas, mesmos assim, os mergulhadores decidiram descer, para ver em loco o objeto e, quiçá, encontrar algo de valor a sua volta.
Já no fundo do mar, aproximam-se do objeto que, à primeira vista, não apresentava nada de especial, parece mesmo ser um bloco de pedra, provavelmente, de alguma antiga construção. Como combinado, começam uma varredura ao entorno do objeto, na esperança de encontrar algo de valor. Porém, o mergulhador amador, graças a sua pouca experiência, acaba batendo com seu cilindro de oxigênio no cubo e removendo um pedaço da crosta de restos marinhos.
Graças a este pequeno acidente, um pedaço do cubo se revelou e mostrou uma estranha estrutura lisa e brilhante. Aproximando-se da falha, constataram que o pedaço do cubo que ficou a mostra, estranhamente, parecia de ser feito de vidro.
Usando uma alavanca, rasparam o cubo em vários pontos. Mesmo o mergulhador experiente, sentiu-se afoito e com uma leve falta de ar, eles vibraram por dentro das mascaras de mergulho. Todos os pontos raspados revelaram ser do mesmo material. Parecia que o cubo, era totalmente feito de vidro e, pela quantidade de material marinho incrustados, devia estar submerso há muitos séculos. Parece que finalmente, encontraram algo de valor.
Já no barco, começam imediatamente o trabalho para içar o objeto, mas, precisam ser rápidos, uma tempestade se forma no horizonte. Já chovia quando uma parte do cubo começou a sair da água. Grandes ondas começam começas a castigar o barco, que oscila perigosamente.
- Não vamos conseguir! – Gritou o capitão – Vamos soltar o cubo, e voltamos quando o tempo melhorar. O barco pode virar!
- Não podemos parar agora, está tão perto. – Respondeu o investidor. – Prossigam, icem este objeto, rápido!
A tempestade aumenta. Ondas castigam o casco e já passam por cima da popa. O cubo agora está totalmente fora da água e, é bem pesado, o que faz o barco pender ameacadoramente para o lado. Com toda pressa e cuidado possíveis, foram virando o guindaste, buscando posicionar o cubo sobre o barco.
Uma onda pegou o arqueólogo desprevenido, e quase o jogou no mar. Foi salvo pelo ajudante do capitão que, com sua experiência no mar, o segurou no momento exato.
Finalmente, o fundo do cubo encosta no convés, e é rapidamente amarrado pela tripulação, para eliminar as chances de retornar, inconvenientemente, ao mar. A curiosidade e ansiedade faz com que, mesmo abaixo de tempestade, a tripulação inicie o trabalho de limpeza do cubo, precisavam saber se o esforço valera ou não à pena.
Com a ajuda de espátulas, removem, cuidadosamente, toda crosta de sujeira marinha, revelando, um enorme cubo de vidro. É um bloco único, sem fechaduras aparentes. Sua cristalinidade é excepcional, apesar de todo este tempo sob a água, após removerem a crosta, foi possível ver claramente o seu conteúdo. Surpreendentemente, o cubo parecia estar cheio de... placas de pedra.
O arqueólogo colou o nariz na parte de cima do cubo, para ver maiores detalhes de seu conteúdo. Sua expressão tornou-se pálida, como se tivesse visto um fantasma dentro do cubo, com ar misterioso, virou-se para seus colegas e falou:
- Não são pedras dentro deste cubo... – fez uma pausa – são tábuas de barro e, possuem inscrições. Parece escrita cuneiforme.
A tripulação explodiu em gritos. Finalmente algo de valor. A escrita cuneiforme foi desenvolvida pelos Sumérios, é uma das, se não a primeira forma de escrita, certamente o cubo é muito antigo. Se realmente, o achado for legitimo, estão todos muito ricos.
Todos se recolhem para se proteger da tempestade, que castiga a embarcação, cobriram o cubo com uma lona. Todos foram beber e comemorar o achado, todos, menos o investidor. Ele foi direto para a cabine do capitão, fazer contato com possíveis compradores. Precisava levantar dinheiro urgentemente, havia gasto quase tudo que possuía nestas expedições. Passou a vários possíveis compradores os detalhes de seu descobrimento, muitos se mostraram interessados. Sorriu, com a perspectiva de realizar um leilão com o cubo, já imaginando a briga dos interessados em adquirir seu achado, cada um oferecendo mais dinheiro.
A tempestade diminui de intensidade, mas, por segurança, o capitão decide ficar ancorado. Estavam próximos a uma ilha, e esta os protegeria dos ventos e das ondas fortes, o barco não é grande e, em alto mar estaria vulnerável. Todos foram dormir, alguns, graças ao elevado nível alcoólico, desmaiaram no próprio refeitório. O auxiliar do capitão foi o único que ficou acordado, na cabine, de prontidão para alguma eventualidade.
Já era madrugada, e o auxiliar estava brigando com o sono. Resolveu sair um pouco da cabine e fumar um cigarro, o capitão não permite fumar dentro de sua cabine. A noite está escura, esporadicamente clareada pelos relâmpagos do resto de tempestade que ainda teima em prosseguir.
O auxiliar do Capitão estava pronto para acender o seu cigarro, quando o céu foi cortado por um relâmpago, imediatamente ele parou. Talvez o sono esteja lhe pregando peças, mas, podia jurar que vira um grande vulto negro muito próximo ao barco. Pensando ser, somente impressão, ignorou e voltou a tentar acender o cigarro.
Outro relâmpago corta o céu e, o vulto novamente se torna visível. Neste momento, o desespero toma conta do auxiliar do Capitão, que, tem certeza do que se trata.