CAPÍTULO 2

O auxiliar do capitão saiu da cabine para fumar, o capitão não é fumante e, não permite que fumem em sua cabine. Porém, do lado de fora, um relâmpago revelou ao auxiliar uma surpresa aterradora.
Reconheceu claramente o que era o enorme vulto que vira. Era a proa de um grande navio e, vinha em sua direção.
Imediatamente, acendeu todas as luzes do barco, e soou o quanto pode a sirene, gritando desesperadamente, de forma que a tripulação do navio os visse, e alterassem a sua rota. O barulho foi tanto, que todos os seus companheiros do barco acordam e sobem para o convés. Vendo o motivo da algazarra, começam a gritar também. Estão tão preocupados com o iminente choque que, nem repararam em dois pequenos barcos, que aportaram ao seu, nem nas pessoas que, sorrateiramente, sobem a bordo.
- Todo mundo no chão! – Grita um dos invasores à tripulação, que olha assustada e sem entender nada e vê um grupo, vestido como ninjas, com grandes armas em punho – Rápido todos no chão, não olhem!
Não tem escolha. Com a surpresa do ataque, ficam sem reação, e obedecem ao comando.
- Quem são vocês? – Pergunta o capitão. – O que vocês querem? – Mas, não obtém respostas. Os invasores estão imóveis, em pé, apontando uma arma para cabeça de cada tripulante, nem mesmo o balanço do barco os parece incomodar.
Ficam nesta posição por alguns segundos, até que, ouvem passos no convés. Parece alguém calçando sapatos, e possui passos lentos e decididos. Imediatamente, ordena aos “ninjas”.
- Levem-nos para cabine, e os amarrem! – A voz soou rouca, e parecia de uma pessoa já com uns 60 anos. Falava inglês, mas, com um leve sotaque que não conseguem identificar.
De forma truculenta, todos são carregados para dentro da cabine, onde são amarrados, fortemente, em cadeiras, que são ajustadas de forma a ficarem voltadas todas para o mesmo lado, como em um auditório.
Um relâmpago clareou a porta e viram o perfil de um homem magro e alto, que usa uma capa de chuva. O homem anda tranquilamente, até a frente das cadeiras. Agora todos conseguem vê-lo, é realmente um senhor de uns 60 e poucos anos, magro, com cabelos grisalhos e ralos. Veste um elegante terno preto e camisa branca, com uma capa de chuva por cima.
O homem puxa uma cadeira, senta-se, cruza as pernas e acende um cigarro, ignorando a expressão de desaprovação do capitão.
- Quem é você? – Perguntou o investidor. – O quer de nós?
O homem grisalho deu uma longa tragada em seu cigarro, soltando, lenta e prazerosamente a fumaça. Fica alguns segundos em silencio, como se, saboreando seu vicio, então fala:
- Acalmem-se, vocês ficarão sabendo de tudo!

***

Ano de 1974, numa sala de reuniões em Washington – USA.
Um grupo de senhores com olhar austero se reúne a portas fechadas. Todos, a exceção de um, trajam ternos. Podemos dizer que, os membros deste grupo estão acima dos demais seres humanos. São eles que decidem o que é verdade e o que é mentira, quem será eleito, ou destituído, quem deve viver, e quem... deve morrer. Seu poder é tamanho, que poderíamos considerá-los semideuses.
A origem deste grupo se perde no tempo. Desde a antiguidade, são os que tomam as decisões e graças a sua maleabilidade e adaptabilidade, conseguem manter o poder a muitos séculos. Já foram guerreiros, sacerdotes, comerciantes, navegadores... hoje, graças a, segundo eles, perigosa disseminação do conhecimento, possuem representantes em todas estas áreas, e em outras mais modernas. Sempre que um membro morre, o grupo elege um sucessor a altura, geralmente filho do que morreu. Mas há exceções, visto que alguns não podem ter filhos, então alguém é nomeado.
Em todos estes séculos à frente da humanidade, nunca estiveram diante de uma ameaça tão grande. Precisam, urgentemente, decidir o que fazer antes, que seja tarde demais. A discussão está acalorada
- Sempre falei dos riscos das viagens espaciais. – Falou o que não usava terno, jogando seu solidéu vermelho sobre a mesa. – Deveria continuar como a morada intransponível de Deus!
- Os tempos mudaram - Respondeu o mais jovem do grupo -, ninguém mais acredita nesta lenda.
- Esta “lenda”, nos manteve no poder por séculos!
- Sim, e quem não acreditasse, ardia na fogueira. – Respondeu arrogantemente o mais novo.
- Era uma época boa, todos tinham medo de ter idéias, tínhamos respeito. – Concluiu o que não usava terno.
- Essa discussão não levará a nada. – Gritou o líder do grupo – Nós decidimos que deveríamos sair para o espaço. Era uma necessidade, tínhamos que mostrar a eles que também éramos capazes. Foi para nossa própria segurança!
- Exato! – Concordou outro. – E além do mais, ninguém poderia imaginar o que encontraríamos.
- Eles me preocupam muito. – Falou um dos mais velhos – Não sabemos quase nada a seu respeito.
- Por isso estamos nos armando, é nossa única chance. – Falou desanimadamente outro senhor – Temos que nos preparar para uma guerra iminente, e desta vez, será uma guerra que não provocamos.
- Só não entendo porque trazer o objeto encontrado. – Falou o que não estava de terno.
- Curiosidade cientifica. – Respondeu o mais novo – Precisávamos saber o que era o seu conteúdo!
- Bem – continuou o líder -, está decidido que, para lua ninguém mais vai, isso é ponto. Mas, o que fazer com o cubo de vidro?
- Se as informações traduzidas forem divulgadas, nunca mais a raça humana será a mesma. E nosso domínio, estará acabado.
- Inadmissível! – Falou outro exaltado. – Nós somos os cães pastores e o restante da humanidade, são as ovelhas. Eles têm a obrigação em fazer o que queremos, sem questionar. Sempre foi assim, e, assim continuará sendo para sempre.
- Vamos destruir o cubo, todo o seu conteúdo, e todas as traduções.
- Sim, devemos fazer isso, imediatamente!
- E os tradutores?
- Devem ser eliminados, um a um. – Neste instante todos olharam para o homem que estava fumando, calado, em uma das cadeiras. Ele era o que chamavam de homem de ação, o que punha em prática o que era decidido, principalmente, o trabalho sujo.
- Podem ficar tranquilos – falou calmamente, dando uma tragada em seu cigarro -, eu cuido disso.
- As mortes dos tradutores, devem parecer acidente.
- Ou, até uma maldição, como já fizemos com outros arqueólogos. Sempre dá certo.
- Não se preocupem – falou tranquilamente o fumante –, o serviço será limpo, como sempre.
- Mas temos ainda outro problema. – Falou o mais jovem – Não podemos nos esquecer do aviso junto ao cubo:

“A terceira irmã tem metade do que a primeira.
A segunda, somente em lembranças ”

- Certamente existe outro cubo na terra, afinal, a lua e a terra tem a mesma origem, são irmãs!
- Mas, e a segunda?
- A segunda está fora de nosso alcance... por enquanto.
- Precisamos ficar de sobreaviso. Vamos deixar nossa central de inteligência atenta e, a qualquer sinal do outro cubo, interceptaremos imediatamente!