CAPÍTULO 20

Ninsun aproxima-se cuidadosamente da caverna.
Chega escondida, olhando em todas as direções tentando descobrir se não é uma armadilha, não vê ninguém. Respira fundo, toma coragem e entra na caverna. O Anunnaki continuava no mesmo lugar, deitado em um canto. Ela pega sua lança, que havia perdido no chão da caverna e vai, aos poucos, chegando mais perto, mas, sempre pronta para correr, se preciso for. O Anunnaki, penosamente, abre os olhos e tenta falar, mas não consegue. Ninsun lhe toca a testa, e constata. – Ele está febril!
- O que houve com você? – Pergunta temerosa ao convalescente Anunnaki. Ele, juntando o que resta de suas forças, simplesmente, aponta para seu abdômen.
Ninsun ergue a roupa do moribundo e constata chocada. – Ele está ferido.
O Anunnaki apresenta um machucado grande na altura de sua barriga. Já deve tê-lo sofrido há algum tempo, pois está bastante infeccionado, provavelmente é a causa da febre. Ninsun pega seu cantil e derrama um pouco de água na boca do Anunnaki.
- Ele estava com sede, como Gil sabia? – Pensou
Mas não havia tempo, o Anunnaki estava muito mal, ela tinha que ser rápida, ou certamente, ele morreria. Imediatamente, saiu da caverna e trouxe algumas ervas e uma esponja natural, da mesma que usa para desencardir Gil. Joga um pouco de água na ferida e esfrega com a esponja para limpar o ferimento. O Anunnaki geme de dor. Com a ferida bem limpa, Ninsun faz um curativo com ervas cicatrizantes.
Conhecera estas ervas com os kerabulus, e usava constantemente nos machucados conseguidos por seu filho. Acendeu um fogo e, em uma jarra de barro, colocou uma mistura de ervas antiinflamatória enquanto fazia uma compressa com água fria na testa do Anunnaki. Precisava ser cuidadosa, sabia do perigo de hipotermia. Os Anunnakis são muito sensíveis ao frio.
Quando a febre baixou, e o Anunnaki adormeceu, Ninsun voltou para cuidar de Gil.
Sua vida se transformou nesta rotina, de ir e vir entre uma caverna e outra. E, as cavernas não ficam próximas. Mas, planejou mantê-la até a recuperação do Anunnaki. Não iria mostrar Gil para o ele, e, também não poderia deixar Gil sozinho – Nippur é um planeta selvagem e perigoso.
Os dias foram passando, e o Anunnaki já apresentava claros sinais de melhora, apesar de que, demoram mais que os Lulus para se curar. Graças aos cuidados de Ninsun, agora, já consegue até comer sozinho e pôde, finalmente, agradecer pelo que Ninsun fez.
- Obrigado. – Disse o Anunnaki – Você salvou minha vida, serei eternamente grato!
- O que faz aqui? – Perguntou rispidamente Ninsun.
- É uma longa história.
- Felizmente não terei tempo para ouvi-la. Assim que estiver em condições de buscar seu próprio alimento, eu irei embora. – Virou-se e olhou para o Anunnaki com cara de ameaça. – Espero que possa retribuir o favor não contando a ninguém sobre mim.
Ninsun sai da caverna em busca de um pouco de água fresca para o Anunnaki, ela sabe que eles não são confiáveis, e não vê à hora de ir embora com Gil. Iria bem para o norte, onde é bem frio e longe dos Anunnakis.
Gilgamesh é uma criança obediente, mas como toda criança, é extremamente curioso. Precisava ver com seus próprios olhos, como era o tal Anunnaki e, pensou, não teria outra oportunidade.
Neste dia seguiu de longe a sua mãe, que foi em direção a caverna do moribundo. Ela entrou por alguns minutos e ele ficou observando escondido fora da caverna. Sua mãe saiu em direção à floresta - Deve estar indo buscar água. - Pensou. Era a hora que estava esperando.
Saiu do esconderijo e correu em direção à caverna.
Ao entrar, parou de repente, o que vira o deixou perplexo. O que é diferente do habitual sempre nos causa estranheza. Gil levou um susto, o Anunnaki também se assustou, porque Gilgamesh também é diferente, diferente dele e diferente dos Lulus. Possui as características físicas dos Anunnakis, porém havia cor em sua pele e cabelos.
O Anunnaki pensou em falar algo, mas, não teve tempo. Da mesma forma que Gil entrou correndo, Gil saiu correndo, e o Anunnaki ficou ali, se perguntando:
– Que criatura será esta?