CAPÍTULO 35

Não é tarefa fácil, mas precisava ser feita.
Enki segue diretamente para a cachoeira próxima a caverna, era um momento complicado para ele, realmente tenso. Precisou tomar muita coragem, mas não tinha outro jeito: precisava tomar banho.
A água é extremamente gelada o que torna esta ação, praticamente um ato heróico, digno de louvores.
Seguiu pela pequena trilha que já havia se formado entre a praia e a cachoeira. Os três usam o local para, além do banho, também para buscar água doce para beber e preparar os alimentos. Mas ao chegar à cachoeira, teve uma surpresa. Ele não sabia, mas, Ninsun estava na cachoeira tomando banho. Eles sempre combinavam quem iria: ou ela e Gil ou Enki, mas como não a encontrou e Gil estava na praia, não imaginara que estaria ali.
Ao ver Ninsun nua, sentiu algo diferente, ela realmente é uma Lulu muito bonita, não havia ainda olhado para ela desta forma, ela havia passado por maus momentos nas mãos de um Anunnaki e Enki temia que ela achasse ser ele igual. Mas, ao vê-la nua, seu instinto falou mais alto, e ele ficou ali, parado, com cara de bobo olhando para ela.
Quando ela percebeu sua presença, ele rapidamente virou-se em direção à trilha, mas ela pediu que esperasse. Enki parou, mas não ousou virar-se na direção de Ninsun. Tratou rapidamente de se explicar:
– Pensei que não tinha ninguém, precisava tomar um banho e...
Neste momento, Ninsun já está atrás dele, nua. Ela o vira, pega em seu rosto com as duas mãos e puxa a cabeça de Enki para baixo, colocando seu rosto próximo ao dela e, o beija. Enquanto o beijava, foi tirando a roupa de Enki. Deitaram-se no gramado próximo a cachoeira e, longamente, fizeram amor.
Para Ninsun aquele momento foi especial, afinal, era a primeira vez que fazia sexo por vontade própria. Ao terminar, sentira uma leveza estranha, diferente de tudo que já sentira antes. Sentia-se livre. Mas não apenas livre da escravidão Anunnaki, sua alma parecia livre. Por alguns instantes - maravilhosos instantes - não era apenas mais um ser isolado neste pequeno e gelado planeta, ela estava em tudo, e tudo estava nela.
Sua mente esvaziou. Seus medos, seus anseios desapareceram, mesmo que por alguns instantes, mas desapareceram. Naquela fração de tempo, pode sentir que era parte do universo, e o próprio universo, era parte dela, numa simbiose inimaginável e mágica.

***

Gilgamesh percebeu que estava só.
Estava tão distraído, atirando pedras no mar, que nem se deu conta que sua mãe e Enki não estavam ali. Procurou dentro da caverna e não encontrou ninguém, procurou ao longo da praia, e nada. Preocupado, começou a chamar:
- Mããããe! Enki! Onde vocês estão? – Mas não obteve resposta.
Depois de um longo período, finalmente ouviu vozes e risadas vindo da trilha que leva a cachoeira. Eram Ninsun e Enki e, pareciam felizes. Vinham caminhando lado a lado, conversando animadamente, mas estavam separados, para Gil não perceber nada. Ninsun decidira que deveria preparar Gil com calma, antes de contar sobre os dois, até lá, seriam discretos.
Porém, quando se aproximaram de Gil, perceberam sua fisionomia fechada.
- O que foi Gil? – Perguntou sua mãe.
- O que vocês fizeram? – Respondeu Gil, com uma cara que misturava espanto e raiva.
- Do que você está falando? – Perguntou Ninsun.
- Ela é minha mãe! Minha, Entendeu? – Gritou Gil para Enki e saiu correndo pela praia. Ninsun e Enki se olharam.
- Será que ele viu? – Perguntou Ninsun.
- Não. – Respondeu Enki – Ele não precisa ver para saber da verdade. Ninsun... precisamos conversar sobre Gil. Seu filho é especial!