CAPÍTULO 12

Curiosamente, olhei para o jornal do taxista.
Queria ver o que de tão interessante ele lia, que sequer poderia esperar pelo término da corrida. Infelizmente, para mim, o que vi não era nada bom.
Ao olhar o jornal, espiando sobre o encosto do banco do passageiro, imediatamente reconheci a foto do suspeito de assassinar o professor da USP. A foto estampava uma das páginas do jornal com a seguinte manchete:

“Assassino do Professor da USP está foragido”

Para minha grande surpresa e pânico, me reconheci na foto do suposto assassino.
Por isso o taxista estava agindo de forma estranha. Certamente me reconheceu quando entrei em seu veiculo e, procurou a foto no jornal para se certificar. Agora estava do outro lado da rua, provavelmente chamando a policia.
Abri a porta, do lado oposto ao do ponto de taxi, e sai abaixado, sorrateiramente. E tão logo estava fora de vista, levantei-me e corri o máximo que consegui. Só parei quando já estava exausto.
O desespero começou a tomar conta de mim. Se minha foto saiu no jornal como sendo procurado por assassinato, certamente mais pessoas irão me reconhecer, a estratégia era perfeita, agora todos seriam meus perseguidores, em qualquer lugar que possa ir. Todos que passavam perto de mim pareciam me condenar, sentia meu coração querendo sair de meu peito.
Preciso fazer algo imediatamente, antes que mais alguém me reconheça!

***

Era época de nozes, e Gil gostava muito delas.
Sua mãe, Ninsun, o ensinou a quebrar a casca utilizando duas pedras, depois disso, levava consigo as pedras para toda parte que ia.
– Nunca se sabe quando encontraremos nozes! - Pensava.
A atenção de Gil para as nozes foi interrompida por um estranho zunido, que parecia vir de longe. Ele olhou para o céu na esperança de ver o que era. Podia ser uma tempestade que se aproximava, mas, o céu estava limpo. Ele conhecia bem os sons de Nippur, e este ele nunca ouvira antes. O zunido começou a ficar mais forte, mais alto, foi gradualmente aumentando. Os pássaros que estavam sobre as árvores levantaram vôo, assustados.
Gil olha para cima, em todas as direções e não vê nada. Olhando novamente para o chão, vê sua mãe correndo em sua direção, e parece nervosa.
– ESCONDA-SE GIL! – Grita ela apavorada.
Gil fica sem ação, não sabe o que fazer. Sua mãe se aproxima, o agarra pela roupa, e o joga para dentro de um buraco na neve próximo a eles, em seguida ela também pula no buraco e começa a desbarrancar toda neve que pode sobre os dois, até que fiquem totalmente cobertos. Gil ainda tenta perguntar o que está havendo, mas, Ninsun manda ele ficar calado e imóvel.
O zunido aumenta. Tudo ao redor começa a tremer, o barulho é ensurdecedor.
Gil está com medo, ele se agarra em sua mãe que pede novamente para ele ficar em silencio. O barulho chega ao limite, a coisa está passando sobre eles. Gil nunca tinha ouvido isso, está apavorado, começa a chorar, mas, obedecendo a sua mãe, em silencio. Aos poucos o barulho vai diminuindo, parece estar se afastando, até que tudo fica silencioso, nem os animais da floresta se manifestam, era como se o mundo acima da neve não existisse mais.
Gil esboça uma pergunta para sua mãe que o manda continuar calado. Eles se mantêm imóveis por muito tempo embaixo da neve, Gil está com frio, sua mãe o abraça protegendo-o, o tempo vai passando até que, Gil adormece.
Quando acorda, já estão na caverna que está servindo, temporariamente, como seu lar. Sua mãe fez um fogo para aquecê-los, já é noite. Gil não consegue entende como sua mãe o trouxe até ali. Agora já tem com Dezesseis anos, e é bem maior que ela.
- O que aconteceu mãe? – Pergunta Gil. – Como cheguei até aqui?
- Eu o trouxe! – Responde a mãe.
- Mas como? Eu já sou maior do que você!
- Para a mãe, o filho é sempre um bebê. – Respondeu dando um sorriso cansado.
Os Lulus foram criados com uma força enorme e muita resistência física para aguentarem a árdua labuta. Isso tornou possível para Ninsun carregar seu filho até a caverna, que não estava muito próxima, mas, o fundamental mesmo, foi à força de vontade de mãe em protegem sua prole, já que o peso de Gil estava acima do que ela realmente podia suportar.
- O que era aquilo mãe? – Perguntou Gil.
- Aquilo Gil, é algo que você deve temer mais que tudo, mais até do que a um tigre dentes-de-sabre ou um megalodon. Quando o ouvir novamente, largue tudo que estiver fazendo e esconda-se, o mais rápido possível!
- Por quê?
- Por quê? Simplesmente, porque se o encontrarem, o matarão. Usarão covardemente suas poderosas armas e você... não terá chance nenhuma de defesa.