CAPÍTULO 7

O Anunnaki vira-se para sua esposa e a chama, como esperado, ela não responde. Ele olha para mesinha ao lado da cama e vê a xícara vazia. Sorri, novamente ela não o incomodaria, estava sedada.
Vai até a porta dos fundos e a abre, chove muito, mas a excitação é tão grande que não se importa, veste uma capa de chuva e sai em direção a casinha onde sua escrava Lulu Amelu mora. Eles não são dignos de morar sob o mesmo teto de seu dono. Com a desculpa de que precisava de um auxiliar para suas prospecções, já que é geólogo, conseguiu que sua esposa deixasse comprar uma Lulu com esta capacitação. Mas, sua intenção era outra – sexo... fácil e submisso.
Já havia realizado este trajeto inúmeras vezes, era perfeito, não havia hora, sempre que sentia vontade ia até ela que não podia recusar e se submetia. Agora ela não chorava mais - deve ter acostumado -, pensava –, ou talvez... até esteja gostando. - Sorriu com este pensamento.
Chegou até a porta do alojamento e, como de costume, entrou sem bater. Estava tudo escuro - ela deve estar dormindo! - Pensou. Foi em direção à cama, tirou a roupa e deitou-se. Começou a procurá-la passando a mão sobre a cama que, para sua surpresa, está vazia.
Levantou rapidamente e acendeu as luzes onde, constatou, ela não estava, começou a chamá-la:
- Ninsun onde está você, eu ordeno que apareça. Eu quero você, agora!
Mas não obteve resposta. Olhou no pequeno baú onde ela guarda as poucas peças de roupa que possuí, e viu que está vazio. Neste momento se deu conta do que aconteceu. Imediatamente ligou para a segurança e falou.
- Minha escrava fugiu, preciso que a encontrem. Deve ser uma fuga em massa, ela é muito nova, não teria coragem para ir sozinha!

***

O mar está repleto de ferozes e gigantes criaturas.
Ninsun sabia disso, mas, tinha algo em seu favor. Sabia que a tempestade os manteria longe da superfície. Sabia, através dos livros que havia lido que eles só atacam na superfície com o mar calmo, então, bastaria que o barco não tombasse e que conseguisse chegar ao outro lado durante a tempestade. Mas, infelizmente, a teoria é muito mais simples que a prática.
A vigilância por parte dos Anunnakis é bastante falha. Estavam preparados para grandes fugas, ninguém imaginaria que alguém se arriscaria a fugir sozinho, e localizar um grupo é bem fácil com seus veículos voadores.
O mar é bravio, as ondas batem ferozmente contra a praia, o rugido da massa de água é apavorante. Está muito escuro, só consegue ver o mar quando os relâmpagos clareiam o céu, e o que vê a amedronta. Inflou seu bote, respirou profundamente várias vezes tentando tomar coragem. Sua vida sempre foram os estudos, jamais passara por aventura semelhante, passou a mão em sua barriga relembrando do porquê de estar ali, e isso a encorajou, por fim, atirou-se ao mar.
Diversas vezes atirou-se no mar bravio, e diversas vezes o mar a devolveu para a praia, parecia que o mar estava trabalhando para os Anunnakis. Novamente ela tentou, e novamente voltou para praia. O vento estava muito forte, e o mar muito bravo. Olhou em direção a terra e seu coração disparou, uma forte luz vinha em sua direção. Não consegue ver o que é, e não precisa, tem absoluta certeza – é uma nave da segurança!
Pensamentos ruins passam por sua cabeça.
- Devem ter descoberto. Meu senhor deve ter me procurado. Mas ele sempre vai mais cedo! – pensou.
A luz aumentava de tamanho, a nave de segurança aproximava-se rapidamente, se a pegarem será terrível, além de ter seu filho arrancado do ventre, ainda sofrerá dolorosos castigos, e talvez até, seja morta. Não pode perder tempo e atira-se novamente no mar, e rema o mais rápido que pode com o pequeno remo do barco. Já está cansada e não consegue vencer as ondas bravias, mas, não pode desistir. Seus braços começam a ficar dormentes pela fadiga. Quando ela olha para terra vê a luz se aproximando, isso lhe dá mais forças e, ela rema ainda mais.
A luz chega à praia, agora pode ver perfeitamente que é uma nave que faz vigia em torno da cidade, a nave está a uns cinqüenta metros dela, mas direcionam o foco de sua luz para a areia. Ela rema ainda mais, até que finalmente, vence a barreira de ondas, ou o vento é que mudou de direção, nunca soube. O importante é que estava indo em direção ao mar, para longe da praia e da nave.
Ninsun nem teve tempo para comemorar. A nave muda de sentido e, direciona seu forte facho de luz para o mar, em sua direção.
– Eles irão me ver – pensa -, estou perdida!