EPILOGO

Durante vários dias continuei na floresta.
Gosto muito de natureza, mas, já estou sentindo falta de um banho quente e de comida cozida. Durante estes dias em que estou andando, escondido, no meio da mata, por várias vezes ouvi o helicóptero de meus perseguidores sobrevoando baixo. Nesta hora fiz um comparativo com a história que estou traduzindo. Também para mim, a proteção é a copa das árvores.
Liguei meu NetBook que ainda mantém um pouco de carga e escrevi mais um pouco, mas, como não tenho internet, não me vale muito. Se tivesse acesso a Internet, conseguiria um mapa de onde estou e, poderia saber, mais ou menos, quanto tempo ainda levaria para chegar à civilização.
Mais uma noite se aproxima, e novamente, preparo um lugar para pernoitar. Como andar pela mata fechada e úmida cansa muito, não estou tendo problemas para dormir. Hoje não foi diferente, tão logo me ajeitei, comecei a pegar no sono.
Já com os olhos semi-cerrados, vi algo vermelho se esquivando entre as árvores. Abri os olhos e sentei em meu improvisado abrigo de folhas e galhos, olhando, atentamente em todas as direções. Porém, não vi nada fora do comum.
- Deve ser minha imaginação! – Concluí.
Após convencer-me de que não era nada, deito novamente e, procurando uma posição mais confortável, me viro para o outro lado, ainda com os olhos abertos.
Levo um enorme susto.
A mais ou menos um metro de mim, dois grandes olhos vermelhos me observam de forma assustadora.
Rapidamente levanto e tento correr, mas, o ser de olhos vermelhos, pula em minhas costas e me derruba. De repente, o mundo todo fica em câmera lenta. Me sentia como se estivesse dentro de uma gelatina, todos os meus movimentos pareciam pesados. Nem gritar conseguia, estava difícil até para respirar. Um medo terrível tomou conta de mim, não sei por que, mas, neste momento, tinha a certeza de que iria morrer. Mesmo sem ter medo da morte, neste momento, ela parecia um pesadelo, parecia macabra.
Uma luz muito forte clareou tudo ao redor, não conseguia entender o que estava acontecendo. Sentia uma movimentação, mas, não sabia o que era. Meu corpo começou a subir, estava vencendo a gravidade sem esforço, passando pela copa das árvores, pensei que havia morrido, e que, minha alma estava indo para o céu. Mas, o céu estava estranho, emitia um forte ruído, ruído este, que ficava cada vez mais alto, mais próximo, as luzes também estavam mais próximas e fortes.
Quando dei por mim, estava algemado dentro de um helicóptero, juntamente com mais quatro homens, todos vestindo roupas pretas, mas apenas um, vestindo terno. Por um bom tempo, não falaram nada. Aproveitei este tempo para tentar voltar a si, e entender o que estava acontecendo. Quando cheguei a uma conclusão, pensei que seria melhor não tê-la encontrado:
Fui capturado!
Olhei para os lados procurando pela minha mochila, com a tábua de argila e os decalques. Encontrei-a sobre uma grande jaula, que estava coberta com um pano preto. Ao ver meu olhar para mochila, um dos soldados ergueu discretamente sua arma, lembrando-me que seria potencialmente fatal tentar qualquer coisa. Finalmente o silencio foi quebrado pelo que estava de terno, que acendeu um cigarro e falou:
- Tática errada, professor Prawdanski. – Falou em um português enrolado. Possuía um sotaque que não consegui reconhecer, mas, certamente não é brasileiro – A equipe que estava lhe perseguindo é formada por militares, e a mata, é a sua casa. Achou mesmo que poderia escapar para sempre? Sua aventura – deu uma longa e prazerosa tragada, e concluiu -, finalmente acabou!