CAPÍTULO 41

- Obrigado por salvar minha vida! – Falei ao caçador.
- Se não tivesse dado tiro, o bicho tinha te pegado! – Respondeu orgulhoso, o caçador.
- Eu é que tenho que te agradecer. – Falou o fazendeiro para mim – Você partiu pra cima do animal.
- Mas gelô de medo quando o bicho não fugiu. – Falou o caçador em tom de gozação.
- Ele é professor, não caçador! – Retrucou o fazendeiro ao que, o caçador interrompeu o riso e ficou calado.
- Como está a sua filha? – Perguntei.
- Está descansando. Ela sempre pareceu uma menina saudável, porém, no exame realizado no hospital apresentou anemia. Ela nunca teve isso, vai ter que fazer um tratamento antes da viagem.
- O médico identificou qual animal a atacou?
- Não, mas, ela perdeu muito sangue!
- O corpo do animal foi recuperado?
- Não – respondeu o fazendeiro -, acho que o tiro não o acertou.
- Impossível – falou o caçador -, nunca ia erra um tiro desse, o bicho chego a sê jogado com o tiro. Ele deve tê ido morre no meio do mato.
- É, pode ser – concordou o fazendeiro, meio sem saber o que dizer –, o problema é que não encontramos marca de sangue, nem do bicho e, nem da minha filha. Pelo sim, pelo não, ninguém deve anda sozinho por ai. Deixei um pessoal fazendo vigia durante a noite. Professor – falou olhando para mim -, melhor você se muda pra casa sede da fazenda, senão, não terá mais aula a noite.
Concordei plenamente com ele. O fazendeiro pegou um pacote e tirou dele a blusa que sua filha usava durante o ataque.
– Infelizmente, sua blusa não teve muita sorte. – Ele me entregou a blusa, que era apenas um farrapo, estava toda rasgada, esfiapada.
- Parece que o bicho queria memo é ocê professor! – Falou o caçador rindo.
- Deixa de bobagem – contestou o fazendeiro -, como um animal poderia escolher alguém, sua natureza é atacar qualquer um, não escolhe a vitima.
Apesar de concordar com o fazendeiro, a idéia que o estranho animal estava atrás de mim, me perturbou. Claramente ele havia feito uma escolha, parecia comparar meu cheiro com o da filha do fazendeiro e, sem dúvidas... me escolheu.

***

Gilgamesh decidiu voltar aos kerabulus, mas foi interrompido.
Enquanto buscava água potável para sua viagem, foi interrompido por uma cena Barbara. Já era noite e, em uma clareira na floresta, uma jovem Lulu estava sendo carregada por três jovens Anunnakis.
Ela gritava desesperadamente, enquanto eles estavam se divertindo. Levaram-na para a clareira e lhe arrancaram, furiosamente, as roupas, também tiraram as próprias.
– Vai vagabunda, nos faça felizes! – Gritou um dos Anunnakis dando uma bofetada no rosto da jovem Lulu. Os outros riram.
Gilgamesh observava tudo à distância, não sabia o que fazer e, mesmo que soubesse, tinha medo de fazer. Encolheu-se ainda maia atrás de alguns arbustos para não ser visto. A violência continuava e, a Lulu gritava implorando compaixão. Mas, compaixão é uma palavra inexistente do dicionário Anunnaki, pelo menos no que se refere aos Lulus.
- Por favor, não me machuquem. – Pediu a Lulu, porém, obteve como resposta ainda mais violência.
- Nós mandamos. Nós os criamos, e podemos fazer o que quisermos com vocês, seres inferiores. – Começaram a bater ainda mais na jovem.
Aparentemente, a possibilidade de bater no pobre ser indefeso, era mais prazerosa para os Anunnakis do que o estupro propriamente dito. Há um sadismo elevado, jamais, sequer imaginado por Gilgamesh. A cena de violência foi aumentando e, inexplicavelmente, algo começou a tomar conta de Gilgamesh, um ódio incontrolável surgiu e tomou conta de si, a ponto dele perder o controle dos seus atos. Sem pensar nas conseqüências, Gilgamesh partiu para cima do grupo, preparado para briga.
- Parem com isso! – Gritou Gilgamesh irado, ao que, foi atendido imediatamente. Os Anunnakis pararam e ficaram olhando estranhamente para ele – Larguem-na e, vão embora! – Prosseguiu.
De forma impressionante, os Anunnakis a largaram e foram saindo da clareira, sem contestar, sem titubear, deixando Gilgamesh de punhos cerrados, pronto para uma reação violenta dos agressores. Mas não reagiram, foram saindo. Estavam agindo de forma estranha, automática, como se estivessem sendo controlados. Quando eles já estavam longe, Gilgamesh se vira para a Lulu e pergunta:
- Você está bem?
A jovem, aparentemente, não estava nada bem, estava muito machucada, mas, agradecida por ainda estar viva responde:
- Sim, ai! Agora estou, obrigada! – Ela foi se levantando, no que foi auxiliada por Gilgamesh - Quem é você estranho? – Perguntou a jovem Lulu, aliviada e, ao mesmo tempo intrigada, na presença de um ser com aparência tão diferente quanto era Gilgamesh, uma nunca vista, mistura de Anunnaki e Lulu, vestindo uma estranha roupa feita de couro.
- Meu nome é Gilgamesh! – Respondeu educadamente. – Porque eles estavam lhe agredindo?
- São jovens – falou a Lulu -, normalmente, eles já são cruéis conosco, e quando bebem então, ficam ainda mais. Só estão procurando diversão. O que posso fazer para agradecer?
- Você não tem que fazer nada, afinal, eu não fiz nada de mais... não... na verdade, não precisou! – Falou Gilgamesh, meio desconsertado. Ele próprio não entendeu o que aconteceu.
Gilgamesh buscou a roupa, agora só trapos rasgados, da jovem, e foi até o riacho e trouxe água para lavar seus ferimentos.
- Você acha que consegue ir para casa sozinha? – Perguntou Gilgamesh.
- Sim, eu posso! – Respondeu a Lulu. Gilgamesh virou-se, e, foi seguindo seu caminho.
- Ei! – Chamou a Lulu, quando Gilgamesh já havia se afastado alguns metros – Aonde você vai?
- Voltar para casa.
- Você mora onde? Nunca vi ninguém da sua espécie!
- Somos poucos – dois pelo que Gilgamesh sabia –, tchau! – Virou-se e foi saindo, quando a Lulu falou.
- Deixe pelo menos eu lhe oferecer algo para comer. – Gilgamesh deu uma parada, estava, realmente, com muita fome. Não havia se alimentado desde que chegou próximo da cidade. – Venha comigo – completou a jovem, fazendo careta de dor -, mas... em silêncio.