CAPÍTULO 43

Festa em homenagem a São Pedro.
O fazendeiro é devoto de São Pedro, seu pai se chamava Pedro. Devido a isso, todos os anos ele dá uma festa no dia do Santo, e convida toda comunidade. A semana estava agitada com os preparativos. Muito provavelmente, a festa servirá também para minha despedida, afinal, a viagem da filha do fazendeiro se aproxima, e ela, já está falando bem o idioma Francês.
Também já está recuperada do ataque, sua anemia regrediu e já está quase dentro dos padrões normais, o único indicio do ataque é a estranha marca circular que ficou em seu pescoço após o ataque, e ainda não cicatrizou totalmente. Os empregados da fazenda fizeram uma varredura e não encontraram o animal pivô do ataque, nem morto nem vivo. Também não houve mais ataques, até porque, os cuidados foram redobrados.
- Você chegou a ver o animal que nos atacou? – Perguntei para filha do fazendeiro.
Desde o ocorrido, nunca mais tocamos neste assunto, mas eu precisava saber de maiores detalhes. Por alguma razão, pressentia que eu é quem deveria ser a vitima.
- Vi apenas os olhos – respondeu a filha do fazendeiro -, grandes olhos vermelhos, realmente assustadores. Foi neste momento que gritei, porque, depois que ele me derrubou tudo ficou lento, parecia um sonho, um pesadelo. Sabia que estava sendo atacada, mas não conseguia resistir, nem gritar, parecia anestesiada. Também não senti dor, apenas medo. Tinha certeza que iria morrer...

***

Já em seu esconderijo, Gilgamesh demorou em pegar no sono.
As histórias contadas pela sua mãe sobre o tratamento que os Lulus recebiam o deixavam perplexo, mas, parecia distante, uma ficção, nada se comparava a presenciar, pessoalmente esta violência e conversar com as vitimas. Ele está deitado no gramado, protegido por uma grande arvore, não acendeu fogueira para não chamar a atenção. O sono começa a chegar, ele fecha os olhos e começa a cochilar, quando alguém o chama:
- Gil! – Chama a voz – Gil, meu filho! – A voz insiste.
Gilgamesh abre penosamente seus olhos e, uma visão se materializa em sua frente. Ele dá um pulo e se levanta, assustado.
– Não tenha medo Gil, sou eu. – Fala a voz, que é suave e distante.
- Ma, ma, mãe? – Responde Gil atônito.
- Sim filho, sou eu. – Gil corre em sua direção e a abraça.
Sua mãe está vestida com um longo vestido branco e, sua face brilha, com uma leve luz azulada. Por um tempo, não falam nada, simplesmente, se abraçam, ambos chorando, até que Ninsun quebra o silêncio:
- Gil, porque está abandonando sua gente? Eles precisam de você!
- O que eu posso fazer sozinho mãe – contesta Gil -, contra todos os Anunnakis?
- Você não está sozinho. Sempre estarei com você!
- Mas eu tenho medo!
- Você seria um tolo se não estivesse com medo, os Anunnakis são perigosos. – E completa - Você é especial Gil, só não se deu conta ainda.
- Eu só sei ler pensamentos, só isso. Em que isso pode me ajudar?
- Você é o único que sabe fazer isso. Nenhum Anunnaki ou Lulu sabe, só você. Acha isso pouco?
- Mas como poderei fazer algo pelo nosso povo, somente lendo pensamentos?
- Gil, você está se menosprezando, você pode muito mais do que imagina... – ela olha para o lado, como se ouvisse algo, e apressa-se - preciso ir agora. Adeus Gil, eu te amo! – e completou – lembre-se, é como é brincar de esconde-esconde...
Gil acorda-se assustado e chama, inutilmente, sua mãe. Foi apenas um sonho, mas tão real que Gilgamesh fica em dúvidas se estava sonhando e acordou, ou, se estava acordado e, adormeceu, porém, não teve tempo para se decidir. Ao que parece, quando chamou pela sua mãe, outros acabaram ouvindo.
Barulho de Passos se aproximam rapidamente. Gilgamesh tenta fugir, mas é tarde demais. Dois Anunnakis estão à sua frente armados, um deles com dois canineus ferozes na coleira, eles usam óculos de visão noturna.
– Pare aí mesmo! – Gritam para Gilgamesh, que fica imóvel. Agora, não há mais nada o que fazer.