CAPÍTULO 44

Os Anunnakis chegam repentinamente, Gilgamesh não tem tempo para escapar.
Apontam a arma para ele e o mandam ficar imóvel, lentamente começam a se aproximar. Gilgamesh está em pânico, não se lembra de ter sentido tanto medo desde que a nave de patrulha deu um vôo rasante, quando ainda era uma criança. Pé por pé, os guardas Anunnakis se aproximam, sempre com Gilgamesh na mira.
O sonho com sua mãe lhe vem à cabeça – que hora para pensar em sonho – resmunga a si mesmo, mas não adianta, o sonho foi muito forte, não consegue parar de pensar no que sonhou. - Brincar de esconde-esconde, disse ela. – Uma bela lembrança de sua infância começa a se formar, daqueles bons momentos em que brincava com as crianças kerabulus. Uma época doce, em que os problemas não existiam, em que estava com quem lhe era querido. Sem dúvida, era muito feliz.
Começou a lembras dos macetes e táticas que usava nesta brincadeira, realmente era insuperável, ninguém conseguia encontrá-lo, principalmente nos últimos anos. Não imaginava como isso poderia ajudá-lo neste momento, mas, não importava. Era uma lembrança feliz, e se iria morrer neste momento, melhor que fosse com esta lembrança.
As guardas estão bem próximos agora, eles mandam que Gilgamesh se levante, ele ainda está sentado. Ele começa a levantar, lentamente, com os guardas sempre lhe apontando as armas, os canineus avançam ferozmente. De repente, os guardar se olham assustados
– Cadê ele! – Grita um.
– Não estou mais vendo! – Responde o outro.
Até mesmo os canineus parecem desnorteados. Gilgamesh fica ali, parado, sem entender nada do que está acontecendo. Os guardas dão uma busca geral ao redor, encontram os pertences de Gilgamesh, mas não ele. Movem-se de um lado para outro procurando, chegam a passar tão perto que ele tem que se esquivar, e não o vêem. Utilizam seus óculos de visão noturna, e, nada.
Por fim, sem entender nada, resolvem desistir da busca, e saem cheios de dúvidas, se perguntando o que aconteceu. Gilgamesh também fica cheio de dúvidas. Ele olha para suas mãos, e pode vê-las, olha para seu corpo, e pode vê-lo. Passa a mão pelo seu rosto, e se pergunta:
- O que será que aconteceu?

***

- Aqui está o seu desjejum. – Fala o carcereiro à Enki, colocando uma grande bandeja para dentro da cela – O Chanceler deu ordens para que não lhe falte nada, se quiser comer algo em especial, é só pedir. Ele é um bom Anunnaki, fosse comigo, você já estaria morto!
- Bom Anunnaki?!? – Falou Enki - É pior de todos, isto sim!
Mas ele conhecia bastante seu irmão para saber que havia algo mais por trás deste ato.
- Enlil está tramando alguma coisa, e grande! – Pensou Enki – Preciso dar um jeito de sair daqui. Tenho que descobrir o que ele está planejando.

***

A secretária anuncia que Ereshkigal, o está aguardando.
O Chanceler ordena que entre e manda que sente à sua frente. Diferente das outras vezes que veio ao gabinete, não lhe oferece nada, apenas fica encarando-o seriamente.
- Disse que precisava falar comigo com urgência? – Começa Ereshkigal sem saber o porquê de estar ali.
- Precisamente! – Responde Enlil, em tom áspero.
- Pois então, estou aqui. Pode falar.
- Muito bem – começou o Chanceler –, me fale de sua família.
- O que? – Pergunta Ereshkigal desentendido - Desculpe, mas não entendi a pergunta?
- Como você se relaciona com seu irmão? Soube que tem um irmão!
- Sim, tenho. Está em Nibiru. Mas porque o interesse?
- Eu tinha um irmão. Gostava muito dele, mas, ele foi tirado de mim!
- Eu sei. Conheci bem seu irmão, Enki. Aqueles Lulus desgraçados...
Enlil faz sinal para ele se calar, e completa:
- Durante muito tempo, fiquei extremamente triste, deprimido. A morte de meu irmão foi como se uma parte minha fosse arrancada.
- Eu sinto muito. – Falou sinicamente, Ereshkigal.
- Mas agora, voltei a ficar feliz. – O Chanceler fez uma pausa, e completou – Estou feliz, por que... meu irmão voltou!
Ereshkigal quase cai da cadeira com a notícia, e fala assustado:
- Co... co... Como é possível?
- Simples! – Responde o Chanceler - Você é tão incompetente que nem isso conseguiu fazer!
- E... E... Eu? – Gaguejou Ereshkigal – Foram os Lulus...
- Cale esta boca, seu mentiroso! – Gritou o Chanceler – Já desconfiava que os Lulus não eram capazes de um ato deste. Agora Enki voltou, e me contou toda a história. Assassino!
- É mentira...
- Cale esta boca! – Gritou novamente o Chanceler.
Ereshkigal não teve como fugir das acusações, e confessou:
- Por favor, não faça nada...
- Fique quieto seu covarde. Não vou fazer nada com você! – Ereshkigal ficou imóvel. A fama de vingativo de Enlil é notória – Sua crueldade com os Lulus se mostrou útil para mim. As fugas e greves quase acabaram pelo medo de verem seus familiares sendo enviados para as suas garras. Se Enki assumir novamente seu cargo, não terei mais este trunfo sobre os escravos.
- Obrigado... – agradeceu suplicante Ereshkigal.
- Não me agradeça. Minha vontade é a de te torturar como você tortura os cabeças preta, mas, neste momento, precisamos ser diplomáticos. Agora você me deve, e sabe que costumo cobrar caro os meus devedores.
- Sim senhor, sim senhor... – Ereshkigal estava em posição totalmente submissa.
- Agora volte para sua toca. Sua toupeira ridícula, e lembre-se, somente nós dois sabemos do retorno de Enki, e eu não falarei para mais ninguém. Se a noticia se espalhar, certamente sua divida aumentará.
- Sim senhor, pode deixar, sim senhor... – falou Ereshkigal, curvando-se de forma humilhante. A soberba de Ereshkigal deixa de existir. Neste momento, ele não passa de um cordeirinho, que irá comer da mão do Chanceler. Agora, ele lhe pertence.
Quando Ereshkigal deixa a sala, o Chanceler pega seu comunicador, e faz uma ligação.
- Temos mais um Anunnaki para ser “removido” em Nibiru. – Fala para quem atende a ligação - Estou encaminhando os dados. Grave os detalhes da morte e, quando as órbitas dos planetas se distanciarem novamente, cuide para que o irmão da vitima receba o material. – E completou - Só mais uma coisa... quero um serviço bem lento e doloroso, ninguém mexe com a minha família. Isso deve servir de exemplo!