CAPÍTULO 45

Finalmente chega o dia da festa na fazenda.
Parece que toda cidade está presente. A festa já é tradicional no lugar, o fazendeiro conta, orgulhosamente, que a festa é mais antiga que a própria cidade, que seu pai foi um desbravador da região, e tão logo se instalou, instituiu a festa, em homenagem ao seu santo de devoção. Como em toda boa festa junina, há uma grande fogueira, que será o ponto alto da festa.
Uma lembrança inconsciente de como o fogo foi, e ainda é, importante para civilização humana. Apesar de toda tecnologia existente hoje, ainda assim, o fogo atrai o ser humano com uma misteriosa e primitiva magia. Mas não é só de fogueira que é feita uma festa junina.
Há muita guloseima típica, quentão, pinhão, batata doce, doce de abobora, amendoim... e a tradicional quadrilha, com casamento caipira. Também participei, fui escolhido para fazer o papel de noivo no casamento caipira, minha noiva, é a filha do fazendeiro. Foi muito divertido, rimos muito, mas depois acabei me arrependo. Ainda não me acostumei com a idéia de que sou um fugitivo. Participar da encenação evidenciou minha presença e, como já devia esperar, meus perseguidores estavam presentes na festa.
Foi fácil para eles levantar a informação com os locais de que, eu era o mesmo tradutor que estava no hotel da cidade, aparentemente, já desconfiavam que o tradutor era o professor “assassino”.
Inocentemente, fui ao banheiro, sem sequer desconfiar que estivesse sendo seguido. Sentia-me seguro nesta fazenda. Mas, assim que sai do meio da multidão, fui atacado.
Tudo foi tão rápido, que, quando dei por mim, já estava no chão, com a barriga para baixo. Alguém estava sobre mim, apertando, fortemente seu joelho nas minhas costas. Gritei de dor.
Com uma grande eficiência, ele torceu meus braços para trás e me algemou. As algemas estavam bastante apertadas e me cortavam os pulsos. Ouvi passos de mais alguém se aproximando, o homem que me capturou estava, aparentemente, com muita raiva, e me falou.
- Finalmente te encontramos professor. – E apertando ainda mais o joelho em meus rins, completou – Terei mais prazer ainda em lhe matar!

***

Uma turma de Lulus se aproxima para começar o dia de labuta nas plantações.
Gilgamesh olha de longe, ele está disposto a testar o que aconteceu. A única explicação plausível para o episódio foi que, não sabe de que forma, ficou invisível. Precisa descobrir se tem também este dom. Como tem medo dos Anunnakis, fará o teste com os Lulus. Ele vê a jovem Lulu que salvou no dia anterior e dá um sorriso malicioso – vou dar um susto nela! – pensa.
Concentrasse e repete para si mesmo - sou invisível, sou invisível, sou invisível... – e vai se aproximando sorrateiramente da Lulu, chegando perto, prepara-se para dar um susto, quando de repente ela se vira para ele, e fala.
- Gilgamesh, você ainda por aqui? Que bom, mas tome cuidado. Os Anunnakis às vezes fazem ronda.
- Você consegue me ver?
- Claro que sim, não sou cega. Com todo este seu tamanho, qualquer um a quilômetros daqui também consegue!
Ele sai chateado, levando consigo umas espigas de Zea Mays para comer. Ele adorou este cereal.
– Como ela me viu, não fiquei invisível, droga! – Pensa enquanto saboreia as espigas, agora já assadas na brasa. Ficava tentando entender o que deu errado.
– Já sei! – Gritou – Só pode ser isso. Eu só fico invisível para os Anunnakis!
Ai estava um grande problema, para provar sua teoria, precisava de um Anunnaki e, como o único em que confiava estava inacessível, teria que vencer o medo e ficar frente a frente com um deles. Sua mãe disse, no sonho, que ele não poderia abandonar sua gente, ele era a única chance dos Lulus, além do mais, precisava responder a pergunta que, sem ele saber, iria mover cada passo seu a partir de agora - “O porquê da morte?”.
Ele precisava encontrar a resposta. Esta era uma coisa comum a grande maioria dos animais de Nippur, mas, não fazia o menor sentido. Não é lógico a natureza permitir a morte de um ser, tanta energia e investimento gastos para adquirir conhecimento e experiências, e, de repente, tudo é jogado fora através da morte, é uma completa insensatez.
Gilgamesh sabe bem quem tem as respostas. Por mais que os odiasse, sabe que os Anunnakis criaram seu espécime, portanto devem ter conhecimento grande deste tema, eles próprios, são imortais. Mas, para isso, precisava criar coragem e, entrar na cidade. Precisava procurar a resposta em Eridu, a cidade Anunnaki. E, o primeiro passo, era descobrir se, realmente conseguiria ficar invisível aos Anunnakis.
Ficou esperando a oportunidade de encontrar um Anunnaki sozinho. Seria mais fácil fugir de um só, caso não conseguir ficar invisível. Depois de muitos dias de espera, finalmente veia a sua oportunidade, não que ele estivesse ansiando por ela, o medo era grande.
O Anunnaki estava distraidamente descansando à sombra de uma árvore. Eles gostam muito do calor, mas a luz do sol não lhes faz bem. Gilgamesh concentra-se e começa a aproximar, utiliza a mesma técnica que usou com a Lulu: – Sou invisível, sou invisível, sou invisível... – repete para si mesmo e, cuidadosamente vai se aproximando.
Chega bem próximo e passa inconsequente, pela frente do distraído Anunnaki.
Por um momento pensou mesmo estar invisível, já que o Anunnaki pareceu não notar a sua presença, até que, a visão daquele estranho ser, chamar sua atenção.
– O que é isso? – Gritou o Anunnaki assustado, olhando para Gilgamesh.
Imediatamente, Gilgamesh chega à conclusão de que não estava de fato invisível e, ginga para um lado e para outro tentando se decidir para que lado correr. Quando finalmente decide, corre o máximo que pode. Infelizmente, desperdiça energia em vão.
Um raio da arma do Anunnaki o atinge nas costas e, ele cai no chão, inconsciente.