CAPÍTULO 48

A vida inteira de Anzu foi dedicada aos animais.
Formou-se biólogo com louvor, mas, ainda na faculdade, soube que sua principal missão não era simplesmente estudar os animais, era muito mais que isso. Sua missão era protegê-los. Primeiro os de seu planeta, e agora, os de Nippur.
Seu trabalho, porém, não está nada fácil. Está sozinho, e a matança é indiscriminada.
Mandou um comunicado para seus colegas do grupo de proteção dos animais que fazia parte em Nibiru. Alguns aceitaram o convite e viriam, logicamente com identidade falsa, para Nippur na próxima aproximação de órbita. Tinha esperança que, com ajuda, poderia salvar os animais de Nippur de uma extinção em massa, promovida pelos Anunnakis.
Estava disposto a tudo para defender todos os animais de Nippur, todos, com exceção dos Lulu Amelus. Aliás, os próprios Lulus achavam que Anzu os odiava.
Na verdade não odiava. Mas, é contra os seus princípios a criação de seres artificiais, sabe que são daninhos ao meio ambiente. Seu foco de proteção são os animais nativos e naturais, portanto, não interessava a ele preservar os Lulus. A criação destes seres foi ainda mais impactante na vida de Anzu, porque, uma colega ambientalista, e também sua paixão secreta, havia mudado de lado, e aceitou trabalhar na sua criação. Depois disto, os dois perderam contato. Para Anzu, ela havia traído a causa e, apesar da dor que isso lhe causou, nunca mais se falaram.
Em sua visita às plantações para identificar o ser hibrido, Anzu encontrou um animal nativo amarrado. Era uma espécie de grande e imponente felino, já catalogada por Anzu, a qual ele chamou de Panthera Leo. O animal havia sido capturado pelos Anunnakis, que iriam matá-lo. Obviamente Anzu não deixou, e estava disposto a devolvê-lo a natureza, o problema seria levá-lo. O espécime é um animal feroz, que não pode ser subestimado.
Anzu lembrou-se da jaula onde o hibrido estivera prezo, e mandou um dos guardas buscá-la. O guarda, para evitar o cansaço, chamou dois Lulus e foram em direção ao galpão abandonado.
Dentro do galpão, os pobres Lulus tentaram inúmeras vezes erguer a jaula, porém, sem sucesso.
– Seus fracotes inúteis! – Gritou o guarda Anunnaki – A jaula está vazia, é bem leve, vejam só...
O Anunnaki puxou a jaula, tentando vencer a lei da gravidade. Não conseguiu. A jaula sequer mexeu. Ele olhou para os Lulus meio desconsertado. Ajeitou-se bem, tomou fôlego e tentou novamente, agora com mais força. A jaula apenas deu uma leve chacoalhada.
– Não é possível! – Falou – Deve ser feita de chumbo. – Deu um sorriso amarelo - Busquem mais ajuda! Vamos seus molengas...
Os Lulus saíram rapidamente, voltando com mais três colegas.
Os cinco Lulus, com grande esforço, conseguiram levar a jaula para Anzu, que estava alegremente, jogando alguns nacos de carne para o exemplar de Panthera Leo. Conforme suas orientações descansaram a jaula no chão, e abriram a fechadura.
Tão logo a porta da jaula foi aberta, todos os Lulus que estavam próximos, foram jogados ao chão, juntamente com o guarda Anunnaki. Ainda sentados no chão, e sem entender nada, se perguntaram:
- O que foi isso?
Gilgamesh nem pensou em pedir desculpas. Saiu a toda velocidade para mais longe que podia.
Finalmente estava livre!

***

O General de Defesa de Nippur mostra, orgulhosamente, as instalações ao Chanceler Enlil.
Lá estão guardadas as armas produzidas nas fábricas de Nippur. Já contavam com inúmeros veículos militares, que poderiam lutar próximo ao solo e, principalmente espaçonaves para guerra no espaço. Havia também, muitos canhões que poderiam abater espaçonaves inimigas a uma grande distância de Nippur e, com uma precisão incrível. Todos sabiam das fábricas de armas, mas, poucos sabiam da quantidade pronta e, menos ainda sabiam do porque delas.
Apesar da paz existente em Nibiru, já que o planeta todo é governado por apenas um Rei, ainda assim são fabricadas armas, com a justificativa de manter a ordem. Na verdade, é mais um lobby da única Empresa que fabrica armas do que uma necessidade real. O Chanceler conseguiu convencer o Rei a transferir a fábrica de armas para Nippur, sob o pretexto de maior segurança a população de Nibiru.
Algumas armas, realmente, estavam sendo enviadas a Nibiru, enquanto que, a sua maioria, ficava oculta em Nippur.
Existe uma grande campanha publicitária vinculada aos Anunnakis de Nippur, tanto na CPC quanto em outras mídias, promovendo uma maior independência de Nippur e a exigência em receber mais recursos financeiros. O foco da campanha, além da obvia mineração, que está mantendo a vida em Nibiru, ainda usa como carro chefe a fábrica de armas, algo, segundo a campanha, imprescindível para manter a paz de Nibiru, e totalmente dependente da fabrica em Nippur.
A campanha esta surtindo efeito. Um patriotismo impensável por Nippur ganhava força a cada dia, em cada Anunnaki, até mesmo naqueles que vieram para este planeta há pouco tempo. Em cada esquina, em cada ponto de encontro, o assunto da pauta é a maior independência de Nippur.
Da mesma forma poucos sabiam das armas que estavam sendo escondidas e menos Anunnakis ainda sabiam do exército, totalmente impensável, que estava sendo treinado.
- Como estão os soldados? – Perguntou o Chanceler.
- Treinados eles estão Senhor – falou o General de Defesa -, porém, não inspiram confiança para entrar em combate!
- Explique melhor General. O que quer dizer com isso? – Estranhou o Chanceler.
- Os soldados são muito obedientes e com uma inteligência incrível. Aprendem rápido o manuseio que qualquer equipamento bélico, seja aéreo, seja terrestre. Mas, meus sargentos alegam não ver sangue nos olhos destes soldados.
- Sangue nos olhos?
- É uma gíria militar em Nibiru. Quer dizer que, não existe ódio em seu olhar, aquela gana por matar a todo custo, a ferocidade animalesca e selvagem. Apesar de todo treinamento pesado, forçando-os ao máximo, exigindo além de suas forças, mesmo assim, não há demonstração de raiva. Na verdade, são seres muito mansos, não demonstram ter coragem de lutar. E isso, em uma guerra... é vital.
- Vamos testá-los em guerra, então. – Falou o Chanceler.
- Não entendi Senhor.
- Vamos criar dois grupos pequenos e separados. Instigaremos um grupo a ir contra o outro. Criaremos rivalidade, faremos um ter a certeza de que, toda sua mazela, todos os seus problemas, todo seu sofrimento é culpa do outro grupo. Daremos diferenças aos dois, como duas cores, ou duas bandeiras diferentes, e faremos um grupo odiar o símbolo do outro. Quando tivermos a certeza de que a ira entre eles atingiu o ápice, lhes daremos armas e os faremos lutar, deixando claro que, o grupo que ganhar terá um glorioso premio, mesmo que, seja, apenas o extermínio do outro grupo. Desta forma – o Chanceler deu um sorriso maquiavélico – veremos se não surge sangue em seus olhos...