CAPÍTULO 51

O fazendeiro, realmente, é uma grande pessoa.
Somente agora, depois de descansar, tive tempo para contar o quanto o fazendeiro me deu em dinheiro pelo pagamento das aulas. Não teria aceitado se não precisasse, devido a tudo que ele fez por mim. Minha surpresa foi tamanha quando contei o maço que ele me entregou, alegando que era pouco, mas, era o que tinha na fazenda naquele momento.
É um bom dinheiro. Muito mais que cobraria pelas aulas, se, por acaso, viesse a cobrar. Com este dinheiro será possível por em prática uma idéia que já estava em minha cabeça há algum tempo.
As pessoas que estão atrás de mim não querem que o material que estou traduzindo seja divulgado. Por isso, querem me matar, e como descreveu a carta que veio em anexo, querem destruir o material, de forma que ninguém saiba de seu conteúdo. Bem, a melhor ação que posso tomar, neste momento, é divulgar o que estou traduzindo, e também esta caça louca que estou sofrendo e, para isso, nada melhor que a Internet.
Fui à cidade que, aliás, é bem maior que a anterior, e comprei um NetBook. A escolha foi pela praticidade e pelo preço. Quanto ao acesso a internet, não será problema, já que, todo hotel, muitos bares e restaurante tem acesso wireless. E, em último caso, ainda existem as Lan House.
Agora é só disponibilizar as traduções, e torcer para que as pessoas acreditem em minha história e, quem sabe, possam me ajudar a revelar toda a verdade, verdade esta, que tanto preocupa meus perseguidores.

***

Lizi contou a Nebo que estava grávida, e por isso foi chantagear o Chanceler.
Não poderia permitir que seu filho fosse abortado. Para Nebo, foi uma mistura de sentimentos, que variava da felicidade total ao desespero extremo. Já trabalhava com o Chanceler havia muito tempo e sabe muito bem do que ele é capaz. Nebo tem a certeza de que, não será uma Lulu que o fará mudar de idéia a respeito dos hibridos, e tem mais certeza ainda, que Lizi corre grande perigo.
- Amanhã iremos ver o Chanceler e nos desculpar. – Falou Nebo apavorado – Vamos falar que você estava bêbada ou algo parecido!
- Você sabe que não podemos, agora está feito. – Falou Lizi – E depois, ninguém vai por a mão em meu filho!
Nebo abriu um sorriso em seu amedrontado rosto, e a abraçou.
- Você não imagina a minha felicidade com esta noticia, mas, nem ao menos sabemos se a criança irá vingar, nunca nasceu um hibrido!
- Como não, e eu? – Contestou Gilgamesh, ainda amarrado.
Os dois olharam para ele, somente agora se deram conta de que o estranho era, realmente, muito diferente, parecia um Lulu grande, ou um Anunnaki não albino, ou coisa parecida.
- Mas afinal, de onde você veio? – Perguntou Nebo.
- Me solte, e eu conto. Não agüento mais ficar nesta posição. – Falou Nebo se debatendo, deitado no chão.

***

- Mas será que ela não está blefando? – Perguntou Kalkal.
- Não! – Respondeu o Chanceler – Ela sabe de muitos detalhes. Ela diz a verdade, ela teve acesso aos meus arquivos.
- Posso eliminá-la rapidamente, agora mesmo, se me autorizar. – Falou Kalkal.
- Não. Ainda não. Pode ser que mais alguém saiba, ela pode também não estar blefando neste ponto. Eu consegui ganhar tempo, prometi que iria resolver a situação dos híbridos.
- E vai?
- Claro que não, jamais permitirei manchar o sangue puro dos Anunnakis com híbridos nojentos. Mas isso nos dá algum tempo que você vai aproveitar para descobrir toda a verdade. Quero as provas e os nomes de todos que sabem. Desta forma eliminaremos todos de uma só vez.
- Inclusive o informático?
- É uma pena. Nebo sempre foi um bom profissional, gosto dele. Pena ser tão estúpido em se envolver com uma Lulu. Com certeza o filho que ela carrega em sua barriga é dele. Deve eliminá-lo também!
- Mas se é, porque ele não a levou para abortar?
- Pelo que reparei nos dois, é mais que simplesmente sexo Acho que ele a ama!
- Há, não! Não pode ser verdade. – Exclamou Kalkal incrédulo – Quem se apaixonaria por uma Lulu, elas só servem para sexo mesmo e, na falta de uma bela Anunnaki fêmea.
- O pior é que Nebo sempre me pareceu de confiança. Mas com certeza foi ele quem roubou minhas anotações, a Lulu não teria esta capacidade. Ninguém pode saber de nada, ainda não, senão, meu plano irá por água a baixo. – Enlil estava pensativo, preocupado com toda esta história - Kalkal, você tem que trabalhar bem, não pode haver nenhuma desconfiança, é hora de mostrar, novamente, que você é mesmo melhor naquilo que faz.

***

Preciso fugir daqui!
Enki estava decidido. Nada correu conforme ele planejara, precisava refazer seus planos e, para isso, primeiramente, precisava estar livre.
A cadeia, além de pequena e vazia, é pouco vigiada. Apenas um Anunnaki vigia os prisioneiros, que agora eram apenas dois, Enki, e um Anunnaki que foi preso porque bebeu e resolver quebrar tudo que encontrou pela frente. Assim que se curasse do porre, estaria livre novamente, e Enki voltaria a ser o único “hospede”.
Arrependimento era um sentimento frequente para Enki. Arrependia-se de ter voltado para cidade, não imaginava esta atitude por parte de seu irmão. Arrependia-se de ter deixado seu próprio filho e Gilgamesh aos cuidados dos kerabulus. Eles eram seres bons, cuidariam bem deles, mas eram seres indefesos, se os Anunnakis os encontrassem os kerabulus não teriam como protegê-los.
Mas, seu maior arrependimento era o de não ter contado a Gilgamesh sobre suas habilidades especiais. Não contou porque, de volta à cidade, iria pesquisá-las melhor, e procurar uma resposta cientifica para este estranho fato. O seu arrependimento foi que, se Gilgamesh soubesse de suas capacidades, e aprendesse a utilizá-las corretamente, seria praticamente invencível. Poderia proteger a si próprio e ao seu irmão. Se ele soubesse o que pode fazer, poderia mudar, não só a vida em Nippur, como também, em Nibiru.
Um pensamento, repentinamente lhe vem à cabeça. Um pensamento que o atormentou.
Gilgamesh é um ser inocente, foi criado protegido, longe de tudo, longe de todos. Seria presa fácil para alguém sem escrúpulos, como seu irmão Enlil, que certamente poderia manipulá-lo, e usar seu dom em proveito próprio.
E este Anunnaki sim... seria imbatível.