CAPÍTULO 54

A tentativa de fuga foi frustrada.
O chefe da guarda de Nippur leva ao Chanceler a informação de que seu prisioneiro tentou fugir e que, por pouco, não conseguiu.
- Vocês são uns incompetentes! – Gritou o Chanceler – Um único prisioneiro e quase o deixam fugir!
- Na verdade... eram dois prisioneiros.... – respondeu sem jeito o chefe da guarda.
- O outro estava em coma alcoólico. Nem viu o que aconteceu! – Contestou o Chanceler. – Estou cercado de incompetentes, são todos uns incompetentes inúteis! – Gritou e deu um soco na mesa. – Reforcem a segurança. Se este prisioneiro fugir, você é quem vai em seu lugar para prisão de Charak!
- Sim senhor! – Concordou o chefe da segurança – Mas, senhor... – falou ainda assustado – não seria mais fácil... matar o prisioneiro...
- Nem pense nisso! – Gritou ainda mais o Chanceler, levantando da cadeira – Se algo acontecer a este prisioneiro... juro, pelo meu pai morto, que você vai se arrepender por ter nascido. – Enlil sentou novamente, tentando se acalmar – Mantenham-no preso, mais com todo conforto possível. Como já disse, não deixem que lhe falte nada. Vai, saia daqui!

***

- E então querido, como foi? – Perguntou Lizi, impaciente, logo que Nebo entrou em sua casa.
- A conversa foi boa, está quase tudo resolvido. – E dirigindo-se a Gilgamesh, falou – Gilgamesh, infelizmente você terá que ir embora. Ele não tem mais a mesma confiança em mim... ainda não. Se descobrir que escondemos um hibrido em nossa casa, então, será o fim. E com certeza, eles virão novamente aqui, atrás das provas.
- Tudo bem – respondeu Gilgamesh -, não quero causar problemas. Agradeço muito pela sua hospitalidade, jamais esquecerei. - Pegou suas poucas coisas, foi se retirando.
- Gilgamesh! – chamou Lizi – Leve esta comida – ela juntou uma porção de guloseimas em uma grande sacola –, e também este cobertor. – Deu a Gilgamesh um cobertor, o qual ele havia gostado muito, porque o aquecia muito bem.
Deu-lhe um grande abraço de despedida. Nebo também o abraçou e disse:
- Desculpe a falta de gentileza, mas estamos passando por um momento ruim.
Gilgamesh não falou nada, apenas acenou com a cabeça e saiu. Não sabia o que era, mas, havia um pensamento ruim na cabeça de Nebo.
- Lizi, nós também precisamos ir! – Falou Nebo, tão logo Gilgamesh saiu.
Ele foi até o quarto e, pegou uma valise e saíram. Lizi queria saber onde iriam, mas Nebo não respondeu. Ela sentiu que ele estava nervoso. Nebo conduziu seu veiculo por diversas ruas, seguindo para a periferia, sempre olhando, preocupado, para seu radar interno, para ver se ninguém os seguia.
Chegaram a uma grande casa pré-fabrica. Uma das que foram usadas pelos primeiros colonizadores, tão logo Nippur fora descoberto. O local estava abandonado, e a vegetação estava tomando conta de tudo.
– O que estamos fazendo aqui? – Perguntou Lizi, porém, sem resposta.
Nebo encostou seu veiculo atrás de alguns arbustos, e saiu em direção à porta da grande casa improvisada, levando consigo a valise e, pedindo que Lizi o seguisse. Através de senha, abriu uma porta que dava para uma escada, que descia, abaixo do nível do chão. No fim da escada havia outra porta, esta de metal, novamente Nebo insere uma senha e a porta se abre.
Já dentro do ambiente, as luzes se acenderam automaticamente, como em qualquer residência Anunnaki. Tudo estava mais ou menos em ordem, precisava de uma limpeza, é verdade, mas estava aceitável. Havia uma pequena cozinha, uma cama, e muitos computadores.
- Este foi meu primeiro laboratório de informática e CPD aqui em Nippur – falou Nebo –, e também minha primeira residência neste planeta.
- Legal Nebo – respondeu Lizi meio sem interesse -, mas porque estamos aqui?
- Sente-se! – Ordenou Nebo, apontando para cama próxima, onde ela sentou experimentando o colchão - Lizi, você me ama? – Perguntou Nebo, ajoelhado aos pés de Lizi.
- Que pergunta boba, Nebo, claro que te amo!
- Faria qualquer coisa por mim?
- Mas é claro que sim!
- Se eu precisasse fazer com você, algo ruim, mas, que seria bom para mim, você me perdoaria?
- Claro que te perdoaria. O que está acontecendo? – Perguntou Lizi, desconfiada.
- Minha conversa com o Chanceler, não foi totalmente perfeita. Ele me pediu para fazer algo. Algo que me faria conquistar novamente sua confiança.
- Mas – perguntou Lizi -, e para que você iria querer conquistar a confiança daquele monstro?
- Eu tenho meus motivos. Mas preciso que você confie em mim, tudo bem?
Lizi mexeu a cabeça, afirmativamente. Nebo virou-se e abriu a valise que trouxe consigo, arrancou de dentro uma grande tesoura. Com a tesoura nas mãos, foi em direção à Lizi e falou:
– Me desculpe meu amor, mas... precisa ser feito!