CAPÍTULO 59

O dia está quente, é verão.
É uma estação bastante agradável para os Anunnakis, e também para Gilgamesh. Ao longe já podia ver as, aparentemente infinitas, plantações de Zea Mays, que agora estavam soltando suas flores em forma de espanador dourado no alto de seu caule, o que mesclava com o verde da paisagem.
Ele já conhecia a região, sabia que um rio passava próximo e, estava com sede. Era um rio pequeno, de águas transparentes e rápidas, o lugar é fresco e agradável, com árvores à volta, o que amenizava o calor. Gilgamesh abaixou-se e tomou um pouco de água em suas mãos e bebeu, depois encheu seu cantil, que sua mãe fizera para ele há muito tempo. Estava preparado para seguir seu caminho, quando ouviu que alguém vinha em sua direção. Imediatamente, tornou-se invisível a aguardou, em silencio.
Uma agradável surpresa para Gilgamesh quando viu quem se aproximava. Era um grupo de jovens Lulus e, entre elas Agnish, a bela Lulu que salvara da última vez que esteve nesta parte do planeta. Resolveu fazer uma brincadeira.
Enquanto as Lulus abaixavam-se à margem do rio para encher seus cantis com água fresca, Gilgamesh, que estava invisível, atirou uma pedra na água. As Lulus viraram-se assustadas e olharam para todas as direções, buscando de onde a pedra viera, sem encontrar, no entanto, sua origem.
Voltaram aos seus afazeres. Outras pedras caíram na água. Agora as jovens puseram-se em pé, algumas se abraçaram assustadas. Gilgamesh se continha para não rir alto. Agora, um dos cantis, fantasmagoricamente, se ergue no ar, movendo-se para cima e para baixo.
As Lulus mais jovens gritaram em pânico.
Porém, por tudo que eram obrigadas a passar, as Lulus eram corajosas e, uma das mais velhas entre as jovens, sorrateiramente, aproximou-se do cantil assombrado e deu-lhe uma pancada com uma pedra. O cantil gritou – Ai! – ao que todas se entreolharam.
Ajoelhado ao chão surgiu à figura estranha de um Anunnaki não albino, vestindo uma roupa de couro, esfregando sua cabeça com a mão
– Essa doeu! – Resmungou Gilgamesh.
- Gilgamesh! – Gritou Agnish alegremente, atirando-se sobre ele, derrubando-o em definitivo no chão – Você está vivo, achamos que tinha morrido! – Deu-lhe um beijo, que o deixou envergonhado, afinal, somente sua mãe já o fizera antes.
- Brincadeira de mau gosto! – Resmungou uma das Lulus, enquanto as demais riam com a cena.
Após encherem os cantis, seguiram para junto dos trabalhadores, que estavam cuidando das plantações, do outro lado de um morro. Por cavalheirismo, Gilgamesh se ofereceu para levar todos os cantis, o que se arrependeu amargamente, já que estavam bastante pesados, e a distância até os trabalhadores era bem grande.
A subida do morro foi especialmente angustiante. Gilgamesh teve uma forte impressão de que não chegaria ao cume, pelo menos, não com vida. Mas resistiu bravamente em sua intenção de ser cavalheiro.
A chegada no alto, porém, fez com que seu esforço fosse recompensado.
Ele soltou os cantis e, boquiaberto, observou a magnífica paisagem. Um tapete dourado, se estendia até onde os olhos podiam ver. Ao aproximar-se pode ver uma planta, que assim como as Zea Mays, não era deste planeta. Era uma planta baixa, em torno de um metro de altura, com um talo fino e reto, que termina em uma espiguinha, com diversos grãos. Agnish explicou que a planta também foi trazida de Nibiru e seu nome é Triticum, e suas sementes moídas viram uma farinha, com a qual se prepara deliciosos alimentos.
- Os Anunnakis gostam mesmo de espigas! – Concluiu Gilgamesh.
- É mais prático, rende mais. – Completou Agnish.
A recepção por parte dos Lulus foi, como da última vez, muito amável. Gilgamesh notou que não havia mais idosos entre o grupo, e sabia bem o porquê e, isso o revoltava. À noite lhe prepararam, com o pouco que tinham, um delicioso jantar. Logo após, um pequeno grupo começou a tocar alguns instrumentos fabricados por eles próprios. Gilgamesh gostou muito, já tinha ouvido os kerabulus tocando instrumentos, mas, eles eram muito desafinados. Os Lulus, ao contrario, tiravam um esplêndido som de seus instrumentos. Eles tocam em um volume bem baixo, para os Anunnakis não ouvirem. Qualquer tipo de diversão é terminantemente proibida para os escravos.
Infelizmente, o cansaço logo tomou conta de todos, e a bela musica cessou. Logo outro longo e cansativo dia de trabalho chegaria e, os Lulus precisavam dormir.
Gilgamesh estava sem sono e resolveu sair para olhar as estrelas. Adorava vê-las, e ficava imaginando como deveria ser chato olhar para o céu de Nibiru, com sua proteção térmica, cobrindo o maravilhoso universo. Deitou em um gramado próximo e olhou, admirado, ao tapete luminoso de estrelas, e as diversas estrelas cadentes que riscavam o firmamento.
Mas Gilgamesh não ficou sozinho por muito tempo. Logo, teve a agradável companhia de Agnish, que deitou ao seu lado no gramado.
- É lindo, não é? – Falou Agnish.
- Não existe nada mais belo! – Respondeu Gilgamesh – Observo o céu desde criança, mas sempre me emociono com sua beleza!
– Você reparou que agora temos dois sois?
- Sim. Ainda bem que estão do mesmo lado, senão, não teríamos noite.
- Dizem que, em alguns meses, as noites serão bem curtas. Graças aos dois sois.
Os dois ficaram observando o céu por alguns minutos, em silêncio. Até que, Agnish virou-se para Gilgamesh e ficou olhando-o. Por instantes, Gilgamesh não deu conta, até que percebeu e perguntou:
- O que foi Agnish? – Mas ela não respondeu e, foi aproximando seu rosto do de Gilgamesh, olhando em seus olhos. Lentamente, suas bocas se aproximaram, até que, inevitavelmente, beijaram-se.
Agnish pulou sobre o corpo de Gilgamesh, e num impulso feroz e incontrolável, foi tirando seu uniforme de escrava. Gilgamesh ficou paralisado, não esperava por isso, apesar de estar gostando.
Agnish agora estava nua, a silhueta de seu corpo podia claramente ser vista graças à luz do luar, ela voltou a beijá-lo. Gilgamesh ainda tentou tirar a sua própria roupa, mas estava tomado de pânico e, desamarrar um laço de sua roupa de couro, havia se tornado uma tarefa praticamente impossível de realizar.
Agnish o ajudou, e, agora sem as roupas, fizeram amor ali mesmo, no gramado, ao lado do abrigo dos escravos Lulus.