CAPÍTULO 63

De posse de meu novo veiculo, prossegui com meus planos.
Encontrei outra moto, com um bom preço em um classificado do jornal de uma pequena cidade. Na verdade o preço não estava muito bom, mas, consegui pechinchar, e obtive um bom desconto.
Mesmo com outro veiculo, estou tomando cuidado de não transitar por rodovias pedagiadas, para evitar ser flagrado novamente por câmeras de segurança. Estou louco para continuar com a tradução dos textos.
Confesso que estou curioso com o desfecho, e por isso, estou trabalhando muito nas traduções. O problema em se traduzir uma língua morta, é que, nem sempre as palavras escritas possuem sinônimo em nosso idioma atual, mas... fazer o que?
Mas o contexto está bem claro. Garanto para vocês, tem muita revelação ainda pela frente.

***

A noite foi difícil para Gilgamesh.
Ele estava acostumado a dormir com Agnish. Após a sua mãe, foi a primeira pessoa a quem realmente amou, e a separação não é fácil. O que o consola é a esperança que, com o tempo, ela o perdoaria, entenderia que o que fez, foi por amor. Que perdeu o controle, porque a viu em perigo, assim como fizera com Enki quando pensou que ele ameaçava sua mãe. Por sorte dele, Gilgamesh ainda era uma criança.
Depois de tanto tempo, lembrou-se de Enki, e da visão que teve de sua mãe, quando se viu no deserto. Na visão ela lhe disse “O ódio é daninho, prejudicial. É ele que o está impedindo de encontrar o que procura!”. Para Gilgamesh, claramente, ela estava falando de Enki, e do ódio que sentia por ele.
- Preciso encontrá-lo – pensou -, mas como?
Em todo o tempo que passou na cidade, lendo pensamentos do todos os Anunnakis que pode, em nenhum momento, alguém pensou em Enki. Era como se ele não existisse, mas existia. De alguma forma, Gilgamesh sabia que ele ainda estava vivo, corria perigo, mas estava vivo.
O EDEN: Lugar mítico, maravilhoso, onde os Lulus viviam bem. Lugar que gerou a inveja dos Anunnakis, que expulsaram Lulus.
Neste curto e inesquecível período em que passou com Agnish, não conseguiu mais informações sobre Nammu do que já sabia. Foi quem criou os Lulus. Já sobre o EDEN, obteve novidades. Ficava a sudoeste e, estava abandonado. Depois da construção de Eridu, os Anunnakis perderam o interesse por ele, que ficou obsoleto, mas, mesmo assim, não permitiram a volta dos Lulus.
- É para lá que vou – decidiu -, imediatamente!

***

- Os encontramos Senhor. – Falou Kalkal pelo comunicador
- São eles mesmos?
- Sim. É o informático, e está com uma Lulu.
- É a mesma que o ajudava?
- Ela está diferente, com o cabelo de outra cor, mas, nas fotos que meu informante tirou, podemos ver bem que é ela mesma, e está grávida!
- Tanto melhor. Deve ser filho de Nebo. Use a gravidez para obrigá-lo a falar como conseguiram as informações e, onde estão armazenadas. Ele não irá querer ver seu rebento sendo retirado do útero de sua amada.
- Ok, Senhor!
- E Kalkal... quando tiver a certeza que ninguém mais sabe, mate-os, principalmente o nojento do hibrido. Não podemos manchar nosso sangue puro.
O Chanceler desliga o comunicador e recosta-se em sua confortável poltrona, saboreando a proximidade do fim de mais um grande problema. Mas outro ainda estava lhe tirando o sono... o exercito de Nippur.

***

Apesar do isolamento, Lizi e Nebo estavam felizes.
Pela primeira vez, ele podia curtir a gravidez de Lizi sem precisar se preocupar em volta ao trabalho. E estava gostando muito. Cada mexida do bebê dentro da barriga era um evento digno de uma final de campeonato da copa Nibiru. O único compromisso de Nebo, fora namorar a barriga de Lizi, foi reativar o alarme de proximidade e, as câmeras de segurança externas. Como não sabiam nada a respeito do mundo recém descoberto, os colonizadores capricharam na segurança, com medo de serem atacados por uma possível civilização nativa.
Era noite e Lizi dormia – os Anunnakis não precisam dormir todas as noites de Nippur – Nebo ficou observando as câmeras de segurança. Não que estivesse pressentindo perigo, mas sim, para observar o comportamento dos estranhos animais noturnos deste, ainda selvagem, planeta.
Seu sossego, porém, foi quebrado pela estranha movimentação do lado de fora, próximo ao que fora um dia, o gabinete provisório do Chanceler.
A movimentação não era de animais nativos, mas sim, de algo muito mais perigoso, muito mais amedrontador... um veículo Anunnaki. De dentro dele, saltaram três Anunnakis, dois deles, Nebo não conhecia, mas, o terceiro, quase o fez desmaiar de terror. É Kalkal.
Durante todo o tempo em que trabalhou para o Chanceler, Nebo sempre soube que Kalkal é o Anunnaki que põe em prática o trabalho sujo para o Chanceler, desde quando ainda viviam em Nibiru. E o fazia bem. Se Kalkal estava ali, provavelmente, Lizi e ele, em breve, estariam mortos.
Nebo observou, nervoso, os três Anunnakis, vasculhando cada um dos prédios do complexo. Arrebentando as portas com uma perícia incrível, e entrando com armas em punho. Nebo, por sua vez, não trouxera arma nenhuma, nunca teve uma e, mesmo que possuísse uma, não sabia como usar. A única proteção que dispunham, é que estão em um CPD e, como tal, é praticamente um cofre.
Projetado para preservar os equipamentos e dados, agora preservaria a vida. Ao menos... por algum tempo.